Depoimentos

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Rita Santos [(Assessora de Imprensa) Voluntária]

É indescritível quando você coloca a roupa de palhaço do Big Riso. A transformação transcende à pintura e à roupa, incorporando à alma e fazendo brotar uma alegria instantânea, que muitas vezes a gente nem sabia que existia em nós...

Esse é só o começo, pois quando chegamos ao hospital, os vigias, os porteiros, as enfermeiras, as moças da limpeza, as ascensoristas, em fim, por onde passamos as pessoas abrem um sorriso só de nos ver... Não tem problema se você é tímido ou brincalhão, os sorrisos virão da mesma forma!

Ao adentrarmos o ambulatório e os quartos de oncopediatria, mais surpresas: o silêncio e o eco do som da tv dão lugar a olhinhos brilhantes, gargalhadas, conversas e muita animação das crianças e seus papais!

Você pode perguntar, mas as crianças não estão doentes? Sim! mas acima de tudo estão cheias de vontade de brincar. Isso realmente é contagiante! A alegria e o ânimo dos pequenos, mesmo em situações mais difíceis, nos fazem esquecer de qualquer coisa e só brincar, brincar e brincar com elas.

Não podemos nos esquecer dos papais e mamães, muitas vezes angustiados, mas que só de verem o filho sorrindo, já abrem um sorriso também.

Vale lembrar ainda dos pacientes idosos que encontramos pelo caminho, como são carinhosos. Basta um elogio: “nossa adorei a cor do seu cabelo”, ou “que saudades, como a senhora está bonita hoje!” e o carinho volta em dobro, com abraços, sorrisos e elogios!!! É uma troca muito boa!

Todos eles (crianças, familiares, pacientes, médicos e funcionários) realmente nos esperam nos dias de visita. E como é bom visitá-los!!!

A experiência de fazer alguém feliz, gera mais felicidade ainda!

Experimente você também!


Marcos D. de Paula  [(Psicanalista) Voluntário]

Muito além de roupas engraçadas, nariz vermelho, acessórios grandes e rosto pintado, a ação de vestir-se e “agir como Palhaço” é uma atitude que exige uma análise muito séria e responsável sobre algumas questões que envolvem o ato de brincar, de fazer palhaçadas e consequentemente de “buscar sorrisos...”, como o expor-se de maneira diferente, chamando a atenção para o ridículo, o desigual e até mesmo o inadequado, que estará sempre dentro de nossa sociedade [em cada um de nós] em suas mais diferentes dimensões e (des)entendimentos.

Desenvolver essa ação do “ser Palhaço” pede ainda reflexão, dedicação e despojamento na medida em que demonstramos um lado “sem armaduras e sem outras máscaras” que carregamos cotidianamente na busca de nos proteger daquilo que nos ensinaram e costumamos chamar de defeitos, de coisas feias que não cabem numa sociedade que se intitula “educada e desenvolvida”; onde algumas fragilidades e limitações do ser humano muitas vezes são confundidas com incapacidade e/ou pouca energia física e psíquica.

Por essas e outras questões não menos importantes, o Palhaço sendo um arquétipo social, é também um indicador da cultura que teatraliza momentos do cotidiano de maneira lúdica, crítica e humorística, capaz de provocar a descontração e o bom humor que pode beneficiar ímpares e inusitados momentos de interpretações... dentro de todo e qualquer espaço, até mesmo em hospitais, onde todas as ações são pensadas e medidas previamente com muita objetividade e racionalidade pelos profissionais da saúde; o que favorece sobremaneira o “choque da atuação do Palhaço”, que leva com sua imagem e seu universo brincante e responsável a chance real da troca, do jogo e do riso verdadeiro entre todos, numa dinâmica de solidariedade e respeito mútuo.