Jairo Cartum - O poder da humanização

 08/03/2021


Acompanhe na íntegra a entrevista do Dr. Jairo Cartum, o “Padrinho Mágico” do Big Riso. Veja a edição completa da revista MBigucci News clicando aqui


Mestre e Doutor em Medicina pela USP na especialidade de Oncologia Pediátrica e professor responsável pela Oncologia Pediátrica da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Essas são algumas das qualificações profissionais do Dr. Jairo Cartum, médico há mais de 20 anos na Região do ABC paulista. 

Mas para quem convive com Dr. Jairo, sabe que o melhor de todos os seus títulos está na HUMANIZAÇÃO. Uma pessoa sensível, humana, humilde e que acima de tudo não mede

esforços para que o atendimento das crianças e adolescentes com câncer seja realmente humanizado, no espaço físico, na equipe médica, nos serviços adicionais e com todos que estão à volta desses preciosos pacientes.

Dr. Jairo Cartum também tem outro título muito especial, o de “Padrinho Mágico” do Big Riso, Programa de Responsabilidade Social da MBigucci nos hospitais, fundado em 2004. Confira a entrevista exclusiva que ele nos concedeu:

MBNews: O que o motivou para a especialidade de Oncologia Pediátrica?
Dr. Jairo: Aos 13 anos de idade vi meu avô muito doente, sofrendo bastante com um câncer de pulmão; nesse momento eu falei que iria ser médico para cutucar o câncer, no sentido de lutar contra essa doença. E assim entrei na Faculdade de Medicina em 1982. Fiz primeiro Pediatria e me especializei depois em Oncologia Pediátrica. Minha
Residência foi no GRAAC e minhas duas teses de pós-graduação concluí no ITACI/ICR - Instituto de Tratamento do Câncer Infantil da USP. Escolhi a pediatria porque criança é
vida, é um ser bem dinâmico, em desenvolvimento e muito sincero.

MBNews: Como o sr. avalia o progresso da humanização nos hospitais?
Dr. Jairo: Quando me formei em Medicina, há mais de 25 anos, a humanização não fazia parte do curso de graduação e nem da preocupação do profissional. Não havia o trabalho em equipe também. Era cada um no seu canto. Hoje em dia isso mudou. A humanização não é mais uma opção, é uma necessidade. 
Defino a humanização como trabalhar com competência e sensibilidade! Isso é humanizar o atendimento. Quando você lida com o ser humano como um todo e entende que o paciente
não é somente um conjunto de reações químicas e que ele tem sentimentos, tem alma... Aí você percebe o impacto que isso tem sobre o tratamento.

MBNews: Há comprovação científica deste benefício?
Dr. Jairo: Sim, hoje já existem estudos científicos que apontam que a alegria e a humanização mudam o prognóstico dos pacientes em tratamento. Isso já foi
comprovado por estudo feito pela ONG internacional Make a Wish. Não é só a medicação que cura. Quem vence a doença é também o sistema imune, que depende
parcialmente do estado emocional da pessoa. É um trabalho em equipe. Por isso, os palhacinhos do Big Riso são imprescindíveis para a cura da criança. Não se trata
só de fazer sorrir, mas de ajudar efetivamente na cura da doença.

MBNews: Como a humanização influencia no tratamento?
Dr. Jairo: Um tratamento de câncer dura 2 anos, em média. Além do tempo prolongado, também é muito intensivo. A humanização traz de volta esse nosso pequeno paciente
para a alegria da vida, já que a vida não é só internação hospitalar, medicamentos, quimioterapia, tirar sangue para exames... ainda mais para uma criança, que está em uma
fase muito importante de desenvolvimento emocional. Quando você oferece à criança a competência técnica em um ambiente humanizado, você obtém um resultado de
cura muito melhor.
A alegria também influencia positivamente na adesão ao tratamento, pois a criança fica motivada a vir para o ambulatório/hospital brincar com os palhacinhos. Isso, aliado ao ambiente alegre, colorido e com brinquedos, que temos no ambulatório da FMABC, gera um impacto ainda maior na adesão ao tratamento. Tem criança que até pede para retornar rapidamente ao ambulatório, porque ela guarda no coração esses momentos de alegria com os palhaços e não só as lembranças de dor. E com menos falta nas consultas, o tratamento obtém resultados superiores!

“A alegria gera uma reação em cadeia positiva no psicossocial do paciente, quando você lida com uma doença grave como o câncer”

MBNews: Os benefícios se estendem também à equipe médica?
Dr. Jairo: Sim! A humanização é boa para todos e não só para o paciente. É boa para a família e para a equipe que cuida, porque todo o ambiente se torna mais harmônico,
mais equilibrado. É preciso lembrar que toda a equipe (médicos, enfermeiros,
nutricionistas, psicólogos, fono, fisio, odonto, terapeutas, assistentes sociais...) também sofre a ação do meio. Se o ambiente hospitalar é menos estressante, mais equilibrado e sereno, aumenta consequentemente a agregação da equipe e, com certeza, isso tem impacto positivo no tratamento do paciente. É uma reação em cadeia.


“Certamente o Big Riso traz vida aos dias e dias de vida aos pacientes”

MBNews: Como o sr. avalia o Big Riso, em mais de 15 anos de atuação?
Dr. Jairo: No início, achávamos que era algo bom, positivo, mas complementar ao tratamento. Hoje em dia, afirmo com convicção - baseado na literatura e na minha experiência que o Big Riso é tão imprescindível quanto o médico e sua
equipe. O benefício não é apenas para o paciente, mas também para a equipe médica. O Big Riso traz vida aos dias e dias de vida aos pacientes! Veja a importância do Big Riso, um trabalho que iniciou há mais 15 anos com o sonho da Roberta Bigucci, mas que sem dúvida é o sonho de todos nós... Ela é a locomotiva e nós os vagões. Cada um com sua importância igual. Sem vagões, de nada adianta a locomotiva e sem locomotiva para que servem os vagões? Essa locomotiva conduz o trem da vida, com paisagens diversas que deparamos ao olharmos pela janela.

MBNews: E como é ser o “Padrinho Mágico” do Big Riso?
Dr. Jairo: O Big Riso é uma linda família e ser parte dela me causa muita alegria, não só como profissional, mas também como ser humano. Aprendi muito com o Big Riso; foi e ainda é uma escola de vida para mim. Eu poderia buscar informações sobre a
importância da humanização na literatura médica, mas é preciso sentir para se convencer de algo! E eu vivenciei esta experiência que o Big Riso semeou por aqui. Por isso reafirmo, com convicção, que o serviço do Big Riso é imprescindível na humanização. E como professor de oncologia pediátrica, faço questão de passar isso aos meus alunos.
Sinto-me orgulhoso e honrado em fazer parte dessa fascinante família chamada Big Riso!