Retinoblastoma: alerta ao câncer ocular na infância

 03/03/2022

Notar pequenos sinais na fase inicial de vida é crucial; 200 casos são diagnosticados anualmente no Brasil


SINTOMAS 
Em um ou ambos os olhos: estrabismo, dor constante, redução de visão, anormalidade de tamanho e aparência do ‘olho de gato’ (surgimento de área branca/amarelada/vermelha e opaca na pupila quando exposta à luz). 


Comum em crianças, o câncer na célula da retina é raro (totalizando apenas 3% dos diagnósticos), mas pode apresentar taxa de cura e preservação da visão de 90% quando não dispersado para além da órbita (metástase). 

“Na verdade, para praticamente tudo, no combate de qualquer doença, é importante diagnóstico prévio. Porém, também é fato que este é um dos cânceres que, quando diagnosticado previamente, obtém uma das mais altas taxas de cura, além de dar mais qualidade de vida no tratamento por ser um tumor indolor apesar do tempo de tratamento variado”, afirma Dr. Tomás de Oliveira Castro Teixeira Pinto, que é oftalmologista e especialista nas doenças de retina.

Decodificação: a retina é um tecido fino (membrana) próximo ao nervo óptico, que, ao receber luz, envia estímulos ao cérebro para “leitura” de imagens

A doença afeta o público infantil (principalmente entre 1 a 5 anos de idade), sendo exceção os casos ao final da vida adolescente. “Tratamos crianças de meses, às vezes diagnosticadas intrauterinos – ou seja, ainda na gravidez”, relata o médico.

OFTALMOLOGISTA ATÉ 1 ANO 
Por isto, até 1 ano de vida, toda criança deve ir ao oftalmologista e fazer, por exemplo, o “teste do olhinho” (disponível também pelo SUS), de acordo com Dr. Tomás. “O exame de pupila dilatada é o principal, bem detalhado e cuidadoso”.

O alerta se torna ainda mais latente com a possibilidade rara, mas real, de que o retinoblastoma possa chegar em estágio avançado sem qualquer indício físico. “Há casos em que o tumor cresce do nervo óptico para trás. É incomum, mas por isto é necessário levar a criança ao pediatra”, afirma Dr. Tomás. 

Tratamento
São alternativas a laserterapia, crioterapia e, em diagnósticos mais avançados, quimio ou radioterapia. “Os casos são avaliados individualmente. Evitamos à quimio e remoção do globo ocular, que, caso ocorra, é suprimido por prótese”. 

Ainda de acordo com o médico, uma vez que estes genes mutados estão no corpo todo [entenda melhor sobre doença no gene], mesmo após recuperação pode haver reativação do retinoblastoma. “O teste genético nos determina como acompanhar este paciente, principalmente se diagnosticarmos que foi uma condição herdada. Quando o retinoblastoma está nos dois olhos, por exemplo, é mais comum que ele seja hereditário. Nesta condição já pegamos casos de três gerações: avô, pai, filho”.



*As informações foram extraídas durante transmissão ao vivo nas redes sociais da Grato ABC – Grupo de Assistência e Tratamento Oncológico Pediátrico do ABC (braço da Faculdade de Medicina do ABC).